"Francisco, olha pá, a malta esteve reunida antes de tu chegares. Estivemos a falar sobre ti pá! Tu és um gajo porreiro, nós gostamos da tua companhia e tudo, pá! Pagas umas rodadas à malta de vez em quando. És um gajo fixe que não faz mal a ninguém.
Ó pá! É claro que cada um tem as suas cenas, todos temos dias! Mas tu até és um gajo que merece uma consideração especial por seres uma espécie de confidente da malta. E acho que falo por toda a gente aqui quando digo isto! Não é?
Bom, mas tu sabes que aqui o estaminé do António é um bocado pequeno n’é? E que basta um gajo dar um traque ali no “sanitório” para que tenhamos todos que fugir porta fora! Tanto é que o António pôs ali um extractor mais potente e tudo. E “mêmo” assim, é o que é!
Pois, mas dizia eu, que tu pá... És um gajo às direitas! Não és daqueles gajos que vêm pr’aqui dizer mal dos outros nas costas. Como eu sei que há pr’aí pessoal que faz! E também não deves nada a ninguém! O António que o diga! A malta sabe que tu preferias roubar à tua mãe do que ficar a dever alguma coisa a um camarada!
Mas o pessoal... Não sou só eu pá! Não vais levar a mal, até porque estamos todos de acordo. E eu acho que tu no fundo até te apercebes. Sim, porque tu até és um gajo com uma certa inteligência, que até jogas bem à sueca e tudo. E vê-se pá! Nota-se! Estas coisas notam-se! E por isso é que eu sei que tu não vais levar a mal o que a malta te vai dizer!
Portanto, não sou só eu que digo, é a malta toda.
Cheiras mal pá!"
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